Comunicação: um velho desafio em novas mídias

Falar sobre Igreja Católica Apostólica Romana e os novos meios de comunicação gera sempre grande polêmica em relação ao seu atraso perante as rápidas mudanças que ocorrem no mundo de hoje. Será mesmo atraso? Ou será medo? Quem sabe prudência?

Navegando na internet, descobri essa entrevista concedida pelo Padre Hewaldo Trevisan (http://www.padrehewaldotrevisan.com.br) à Revista Imprensa onde ele fala exatamente sobre como a Igreja se comporta perante isso tudo. Inclusive citando o papa João Paulo II como um dos grandes incentivadores da comunicação neste mundo moderno. Mas se o papa João Paulo II já se iportava com a cultura midiática, será então que a igreja está mesmo atrasada?

Confiram a entrevista:

 

Entrevista: Hewaldo Trevisan
Redação revista IMPRENSA

Revista IMPRENSA - Como o senhor vê a possibilidade de a igreja católica utilizar-se de diversas mídias hoje em dia?
Hewaldo Trevisan - A grande abertura foi a pedido do papa João Paulo II, que tinha uma grande aceitação em relação à comunicação e o mundo moderno. Foram vários documentos incentivando os meios de comunicação. O papa foi o primeiro a escrever uma encíclica na internet. Mas acredito que precisamos melhorar muito nessa área.

IMPRENSA - A Igreja católica demorou para despertar para isso?
Trevisan - A igreja católica sempre foi muito pioneira, na musica, rádio, televisão e outros. Foi tímida em alguns aspectos, por prudência talvez, para hoje fazer algo sério e não estar na mídia por estar.

IMPRENSA - Prudência não seria medo de transformar a mensagem num produto?
Trevisan - Acho que isso é um respeito em relação aos ouvintes: devemos divulgar uma mensagem transformadora e prudente, algo que seja muito bem pensado. Nosso papel na televisão é acrescentar algo para a sociedade em que vivemos. É preferível não ir à TV caso não tenhamos algo a acrescentar. Eu acho que essa é a grande função, anunciar Jesus não é anunciar doutrina, mas a proposta de Jesus é uma proposta humanista, mostrar ao ser humano, o projeto e o plano para qual o Deus criou.

IMPRENSA - E o conteúdo?
Trevisan - Sou da opinião que sempre, em muitas coisas, precisamos crescer continuamente, precisamos evoluir. Estamos num processo de crescimento: hoje a igreja fala mais a linguagem do povo, está mais próxima, a música, por exemplo, é um instrumento muito valioso, mas tudo isso deve ser muito bem usado. Faço isso a partir de mim mesmo, observo minha pregação de muitos anos atrás e tento aperfeiçoar a cada dia o dom que Deus me deu.

IMPRENSA - A tendência qual é?
Trevisan - Sou aluno de um grande professor, o padre Zezinho, foi pioneiro de todo esse trabalho musical que hoje estamos colhendo frutos, mas eu me lembro também que quando lancei o primeiro CD a diferença em relação a hoje era que a abertura que temos na mídia em geral era menor.

IMPRENSA - As pessoas separam o produto da mensagem religiosa?
Trevisan - A mensagem não é comercial, mas nós vendemos produtos que levam a mensagem e precisamos fazer marketing disso. Temos um excelente produto que é a mensagem do evangelho e ela precisa chegar por meio do projeto de marketing, ela pode submeter-se ao capitalismo, mas precisa ser vendida e passada adiante. A linguagem do marketing esta bem adequada à religiosa.

É bom separar o que é vendável. Essa compra não precisa ser necessariamente no dinheiro, até porque, hoje, não se faz televisão e música sem recursos.

Existe uma preocupação e isso tem crescido, de profissionais competentes para dar opções e um bom conteúdo editorial para os ouvintes e telespectadores. Existe uma preocupação não só com a doutrina, mas com a qualidade dos programas e das canções. O povo merece o melhor.

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